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Mesmo após o prematuro falecimento de sua esposa, por complicações no parto em meados de 1864, Ashbell Green Simonton – primeiro missionário presbiteriano no Brasil – prosseguiu com a sua missão. A despeito de suas muitas lutas interiores, que deixou registradas em seu Diário, encontrou forças em Deus para outras importantes realizações.

A sua pequena igreja no Rio de Janeiro ganhava novas adesões, e seus planos incluíam a criação de uma escola paroquial e um seminário teológico, sonhos que se concretizaram no ano de 1867, quando a igreja se transferiu para um prédio em frente ao Campo de Santana, hoje Praça da República. Essa modesta instituição teológica existiu por apenas três anos, mas foi o primeiro seminário protestante a formas pastores nacionais: Antônio Bandeira Trajano, Miguel Gonçalves Torres, Modesto Perestrello de Barros Carvalhosa e Antônio Pedro de Cerqueira Leite.

No final de novembro de 1867, Simonton fez a sua última visita a São Paulo, onde sua irmã e cunhado criavam a sua filhinha Helen. Desta vez, porém, havia uma razão adicional – Simonton achava-se doente e esperava que a viagem e o clima salubre da capital paulista trouxessem melhoras à sua saúde. Mas seu estado de saúde agravou-se e Simonton veio a falecer no dia 9 de dezembro, poucas semanas antes de completar 35 anos, vitimado pela febre amarela.

Este é o resumo da vida de Simonton, um homem tímido e ousado quase ao mesmo tempo, que sentiu o chamado para ser missionário no Brasil. Bem educado, culto, de família próspera, abandonou o curso de Direito para fazer Teologia, deixando a tranquilidade e segurança do lar para dedicar sua vida a trazer o evangelho ao povo brasileiro. Trabalhou aqui por 7 anos nos quais, além das realizações já citadas, recebeu 70 pessoas à comunhão da igreja, não obstante a natureza pioneira de seu ministério, os desgastes da morte prematura de sua esposa e a situação crítica de sua pátria com a Guerra de Secessão, que o afligia muito.

No seu túmulo está escrito o texto de 1Co 15.58: "O seu trabalho não foi vão no Senhor". Esta foi a vida de um homem que teve compromisso e o seu trabalho não foi em vão no Senhor. Que o desprendimento que demonstrou seja uma fonte de inspiração e motivação para nós, herdeiros do seu movimento. Que a graça de Deus Pai caia sobre nós para sermos instrumentos em suas mãos. Que Ele nos use para sermos vasos semelhantes a Simonton, para que o Seu nome seja exaltado e glorificado na nossa vida.

Rev. Alex Barbosa (adaptado)

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