Devocionais publicadas nos boletins informativos semanais

Não há neutralidade na vida. Todo o que segue a Jesus deveria ter a mais plena consciência disso. Ele foi muito claro sobre este assunto: “quem não é por mim, é contra mim. Quem comigo não ajunta espalha” (Mateus 12.30). Ao falar isso, ele estava afirmando que, ao entrar no mundo, estava invadindo para reconquistar um território que havia sido usurpado, onde o Maligno havia feito a sua “casa” e estava aprisionando as pessoas. E João ecoou esta realidade ao dizer que “o mundo inteiro jaz no Maligno” (1 João 5.19).

Olhar ao redor com os olhos de Cristo é um exercício que nos permite notar essa clara diferença entre os valores do reino de Deus e do império das trevas. Não é difícil vermos isso, tanto nas grandes discussões enfocadas pela mídia e que polarizam as pessoas política e comportamentalmente, como nas questões do nosso cotidiano pessoal, onde somos desafiados a nos posicionarmos como seguidores de Jesus.

Ester viveu um momento no qual ela deveria se posicionar (4.1-14). O rei havia promulgado um decreto autorizando Hamã a promover uma limpeza étnica, exterminando os judeus. Ao ver seu primo Mordecai vestido de roupas de luto, ela certamente soube que algo grave acontecia. Mas tomou uma atitude de superficialidade omissa, querendo resolver a dor de seu primo e pai de criação apenas escondendo a tristeza dele trocando-lhe as roupas. Algumas vezes somos tentados a nos omitir, tentando “evitar mexer nos vespeiros”...

Mas em dias de tanta polarização de opiniões, também há o risco de lutarmos pela luz usando as armas das trevas. E aí, cristãos se alinham a grupos cujas atitudes estão muito distantes do modelo de Jesus. E lamentavelmente até agem como eles. Ira, agressões, amargura, malícia, gritaria, maledicência tomam o palco de discussões diárias, vindas de “cristãos indignados” que julgam defender a Cristo e os valores cristãos contra os valores do mundo.

Jesus está chamando os seus seguidores a se posicionarem ao lado dele, dizendo NÃO tanto à omissão quanto à agressão. Como diz o apóstolo Paulo, embora andemos na carne, vivendo a vida real, não lutamos segundo a carne (2 Coríntios 10.3).

Penso que uma das principais respostas que precisamos dar, ao enfrentarmos as sérias questões a que estamos expostos, é a nós mesmos: “a quem ouvirei com maior atenção: a Jesus e seu evangelho, ou às razões da sociedade contemporânea?”. Se decidirmos ouvir Jesus e obedecê-lo, combateremos o mal sem deixar de amar as pessoas. Pode até custar um preço, mas é assunto para mais adiante. Hoje importa ouvir e escolher o lado certo: o do evangelho.

Rev. Alex Barbosa

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