No bairro do Grajaú

Em 1964, o bairro do Grajaú, na zona norte do Rio de Janeiro, era (e ainda é) local aprazível para se morar. Ruas bem traçadas e arborizadas, residências de boa aparência, uma pracinha, farta condução, bom comércio próximo e muita tranquilidade. Apesar desses pontos positivos, faltava-lhe uma coisa: uma igreja presbiteriana, já que na localidade residiam muitas famílias presbiterianas.

Alguns desses irmãos, durante alguns anos, apelaram para várias igrejas e ministros no sentido de que se plantasse ali uma congregação presbiteriana. O Conselho da Igreja Presbiteriana do Riachuelo foi sensível a esses apelos e autorizou o seu pastor, Rev. Thiago R. Rocha, a verificar a viabilidade desse projeto. O ministro de imediato colocou mãos à obra, convidando alguns irmãos presbiterianos, moradores da região, para uma reunião na residência do Presbítero Enderson de Figueiredo, à Av. Engenheiro Richard, 112 Apto. 102, num domingo de maio. Após breve momento devocional, os presentes aprovaram e apoiaram a ideia de se realizarem reuniões itinerantes nas residências dos interessados. E assim foi durante alguns meses, até se fixarem na residência do Presbítero Nahum Ferreira de Oliveira, a seu convite, na R. Grajaú, 29. A família se privou do seu direito de descanso e privacidade, cedendo, todas as tardes de domingo, espaço para as reuniões da congregação. A sala espaçosa se transformou num salão de cultos, com púlpito e confortáveis cadeiras. Os cultos, que começavam às 16 horas, eram breves, mas edificantes, inspirativos e animados. Não passavam de quarenta minutos. Convém observar que alguns dos participantes costumavam frequentar as suas respectivas igrejas de manhã e à noite e, à tarde, davam apoio à congregação. Essas reuniões se estenderam por cerca de cinco anos. Começou-se, nessa fase, a arrecadação de ofertas para a aquisição da sede própria.

Naquele tempo, as igrejas não contavam com muito recurso e ainda não havia o projeto de parceria de igrejas para o sustento da obra. Os recursos provinham exclusivamente do esforço dos participantes. Entre esses participantes, havia irmãs entusiasmadas e experientes no serviço da igreja que, por sugestão do dirigente, providenciaram a organização de um departamento feminino para, especialmente, ajudar na arrecadação de recursos. Sua primeira presidente foi a irmã Miriam de Oliveira Dias, em cuja casa realizou-se o primeiro bazar, em que as irmãs levavam peças para serem adquiridas em prol da sede própria. A arrecadação era significativa e, somada às contribuições voluntárias, reforçou bastante o fundo da sede própria. As irmãs se reuniam regularmente, em várias casas, para realizar breves devocionais e formular projetos para aumentar o referido fundo. Essas reuniões tiveram continuidade e, na fase da igreja organizada, resultou na organização da Sociedade Auxiliadora Feminina, a SAF Grajaú.

Mas a organização histórica data da primeira reunião, em agosto de 1964. O número de participantes aumentava, até que se sentiu necessidade de se adquirir uma propriedade na região para dar continuidade ao trabalho, visando à plantação da IPB Grajaú. E a oportunidade apareceu.

Nosso ideal era conseguir a sede própria, não só para liberar a família, que nos acolhia, mas, também, para a implantação da igreja. No fundo patrimonial já havia respeitável importância para essa aquisição. Uma senhora que frequentava a congregação descobriu a propriedade. Não havia placa de “Vende-se”, nem nenhum anúncio. Ela teve conhecimento em conversa casual (?) com a vizinha. A transação levou tempo, porque havia inquilino que sublocava o espaço. Naquele tempo, nessas condições, era difícil obter a posse do imóvel. Colocamos joelhos em terra e mãos no arado. Consultamos um advogado crente, Dr. Erasmo Martins Pedro, membro da IPB Riachuelo, que nos avisou da dificuldade, mas se dispôs a ajudar-nos juridicamente. Num ato de fé, a igreja-mãe se dispôs a fazer a transação. Foi uma batalha judicial que durou cerca de dois anos. O locatário era experimentado advogado, que lucrava com a sublocação. Ele foi apresentando recurso após recurso. Por fim, a sua última argumentação era a de que o espaço não comportava a construção de um templo, como pretendia a proprietária. A decisão final ficou para o então Tribunal de Alçada. No dia do julgamento, que era público, grande número de irmãos esteve ali presente, para ouvir o parecer do relator (que foi seguido pelos demais juízes), que afirmou “que para adorar a Deus, até um caixote pode servir como templo”. A decisão unânime foi a nosso favor.

Ainda como congregação, começamos a reunir-nos em horários de cultos das igrejas, numa sala improvisada aos fundos, enquanto se preparava o prédio principal para o santuário. A saleta serviu, depois, como secretaria da igreja.

Enfim, o pequeno templo adaptado ficou pronto, à R. Farias Brito, 34. E em tempo, porque a sala provisória estava pequena para comportar a congregação. O salão ficou bem aconchegante. Foi o primeiro local de culto presbiteriano do Rio de Janeiro com ar condicionado, à época. Havia um púlpito e, ao lado, um tablado, onde logo se postaria o coral, sob a regência do irmão Sergio Freitas, organista da igreja.

Em 16 de maio de 1971, o Presbitério de Guanabara organizava a Igreja Presbiteriana do Grajaú, com 42 membros comungantes e 11 membros menores. Na ocasião, foram eleitos os primeiros presbíteros, que passaram a constituir o Conselho da igreja. Foram eles: Eurípedes Coelho, Nahum Ferreira de Oliveira e Sergio da Silva Gomes. A Junta Diaconal foi constituída logo depois, com a eleição dos diáconos Antonio Augusto de Souza, Benjamim Ramalho, Gerson de Paiva Barreto. O Presbitério de Guanabara designou, como pastor evangelista da igreja, o Rev. Thiago Rodrigues Rocha, que continua como nosso pastor emérito.

...não temos dúvidas de que a mão do Senhor tem nos conduzido. O pequeno rebanho foi vivendo em Cristo e testemunhando o evangelho, e Deus veio “acrescentando dia a dia os que iam sendo salvos”.

Como o templo original ficou pequeno, foi adquirido o terreno e a casa vizinha, em cujo espaço foi construída a capela – que seria provisória, mas que se tornou um templo bem peculiar, como chamamos, “uma igrejinha com cara de casa de boneca”, com um pátio à frente, onde nos reunimos ainda hoje.

Nesses mais de 40 anos (mais de 50, contando desde o comecinho...) muitas pessoas encontraram o Salvador entre nós e tiveram suas vidas transformadas. Tantas estão conosco, e outras estão em outros lugares, onde o Senhor as colocou. Vários jovens, que nasceram e/ou foram criados aqui, são hoje pastores e líderes em diversas igrejas. Tivemos também a alegria de participar da criação de congregações que hoje são igrejas presbiterianas organizadas: IPB Muda- Usina, IPB Anil, IPB Recreio dos Bandeirantes, IPB Mendes, IPB Maracanã e IPB Cascadura. Atualmente estamos envolvidos em novas parcerias de plantação de igrejas: Abolição, Mananciais (Jacarepaguá), Carioca (Cachambi).

Nossa Igreja também desenvolveu uma bela visão missionária, apoiando diversas frentes, no Brasil e no mundo. E algo que nos alegra imensamente é ver que Deus despertou vocações aqui que hoje estão no campo missionário. Você pode conhecer melhor essas histórias na seção Ministérios - Evangelização & Missões.

Cada pastor que por aqui passou foi instrumento de Deus, deixando um legado pelo qual somos muito gratos. O que somos hoje é o fruto da ação de Deus ao longo dessas mais de 5 décadas.

Louvado seja o Senhor!

Somos hoje uma comunidade de cerca 250 membros, além de dezenas de pessoas que se congregam conosco, mesmo não sendo membros (mas que o são em nossos corações).

Nos caracterizamos por ser uma igreja que valoriza SERMOS uma família, sempre aberta a novos membros. Por isso, embora tenhamos atividades para todas as faixas de idade, nosso “grande evento” – os cultos dominicais – são muito inclusivos. Não realizamos cultos para agradar esta ou aquela preferência de estilo, mas para agradar ao Único, que deve ser o centro de tudo. E entendemos que Ele se agrada em ser adorado por Seu Povo – que inclui desde a criança até o ancião. Ficamos felizes em ver a juventude conduzindo a adoração com louvores contemporâneos e, tanto as crianças como as “cabecinhas brancas” cantando com eles. A alegria aumenta ao vermos os mais novos cantando um hino “tradicionalzão” ao som do órgão, e participando do coral da igreja. E todos recebendo as mensagens bíblicas - que podem ser revistas e ouvidas na seção Conteúdo > Mensagens – que é o momento central do culto e partilhando lado a lado da Ceia do Senhor, celebrada sempre aos primeiros domingos de cada mês nos cultos da manhã e aos terceiros domingos de cada mês nos cultos da noite

Para facilitar o aprofundamento bíblico e a aproximação das pessoas, nos reunimos em classes de estudo na Escola Bíblica Dominical e, há alguns anos temos desenvolvido Grupos de Comunhão, que se reúnem periodicamente nos lares. Nossas crianças têm uma especial importância, com atividades de ensino bíblico e lúdicas muito alegres e planejadas cuidadosamente para apoiar as famílias no cuidado delas no caminho de Cristo. Também temos uma juventude muito participativa, com atividades para adolescentes e jovens

As ações da igreja hoje se desenvolvem a partir dos ministérios e das sociedades internas que, sob orientação do Conselho da igreja, coordenam as nossas atividades.

Gostaríamos de ter você fazendo parte desta caminhada conosco. Venha conhecer, estando em uma de nossas atividades.

Desejamos que Deus te abençoe grandemente! Até nosso encontro.

No mundo

O presbiterianismo ou movimento reformado nasceu da Reforma Protestante do século XVI. Pouco depois que protestantismo começou na Alemanha, sob a liderança de Martinho Lutero (1483-1546), surgiu uma segunda manifestação do mesmo em Zurique, na Suíça, sob a direção de outro ex-sacerdote, Ulrico Zuínglio (1484-1531).

Ao morrer, em 1531, Zuínglio teve um hábil sucessor na pessoa de João Henrique Bullinger (1504-1575). Todavia, poucos anos mais tarde surgiu um líder que se destacou de todos os outros por sua inteligência, dotes literários, capacidade de organização e profundidade teológica. Esse líder foi o francês João Calvino (1509-1564), que concentrou os seus esforços na cidade suíça de Genebra. Através da sua obra magna, a Instituição da Religião Cristã ou Institutas, comentários bíblicos, tratados e outros escritos, Calvino traçou os contornos básicos do presbiterianismo, tanto em termos teológicos quanto organizacionais, à luz das Escrituras Sagradas.

Nos séculos 17 e 18, milhares de calvinistas emigraram para as colônias inglesas da América do Norte. Foram essas pessoas que eventualmente criaram a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos.Em 1859, a Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos enviou ao Rio de Janeiro o Rev. Ashbel Green Simonton, fundador da Igreja Presbiteriana do Brasil.

O surgimento do presbiterianismo no Brasil resultou do pioneirismo e desprendimento do Rev. Ashbel Green Simonton (1833-1867). Nascido em West Hanover, na Pensilvânia, EUA, Simonton estudou no Colégio de Nova Jersey e inicialmente pensou em ser professor ou advogado. Influenciado por um reavivamento em 1855, fez a sua profissão de fé e, pouco depois, ingressou no Seminário de Princeton. Um sermão pregado por seu professor, o famoso teólogo Charles Hodge (1797-1878), levou-o a considerar o trabalho missionário no estrangeiro. Três anos depois, candidatou-se perante a Junta de Missões da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, citando o Brasil como campo de sua preferência. Dois meses após a sua ordenação, embarcou para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859, aos 26 anos de idade.

Depois de alguns meses no Brasil, no dia 22 de abril de 1860, Simonton realizou a primeira Escola Dominical em sua casa, sendo este seu primeiro trabalho em Português, o que o deixou muito feliz. Fora o seu “marco inaugural” no Brasil.

Finalmente, a 12 de janeiro de 1862 concretizou-se a primeira grande realização de Simonton, que foi a fundação da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Recebeu na igreja os seus dois primeiros membros, curiosamente ambos estrangeiros, um americano, agente da Companhia Singer de máquinas de costura, e um português. Ao registrar o fato, com alegria concluiu: “Assim, organizamo-nos em igreja de Jesus Cristo no Brasil”.

Em agosto de 2017, comemorando o mês de missões da Igreja Presbiteriana do Brasil, publicamos uma série de palavras Pastorais com  breve resumo resumo da história e de algumas experiências deste homem que foi enviado por Deus para consolidar a fé reformada entre os brasileiros. Leia..

A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) é uma federação de igrejas que têm em comum uma história, uma forma de governo, uma teologia, bem como um padrão de culto e de vida comunitária. Historicamente, a IPB pertence à família das igrejas reformadas ao redor do mundo. O nome “igreja presbiteriana” vem da maneira como a igreja é administrada, ou seja, através de “presbíteros” eleitos democraticamente pelas comunidades locais. Essas comunidades são governadas por um “conselho” de presbíteros e estes oficiais também integram os concílios superiores da igreja, que são os presbitérios, os sínodos e o Supremo Concílio. Os presbíteros são de dois tipos: regentes (que governam) e docentes (que ensinam); estes últimos são os pastores. Em 2005, a Igreja Presbiteriana do Brasil tinha aproximadamente 4.800 igrejas locais e congregações, 263 presbitérios, 64 sínodos, 3.800 pastores, 415.500 membros comungantes e 125.000 membros não-comungantes (menores), estando presente em todos os estados da federação.

No seu culto, as igrejas presbiterianas procuram obedecer ao chamado princípio regulador. Isso significa que o culto deve ater-se às normas contidas na Escritura, não sendo aceitas as práticas proibidas ou não sancionadas explicitamente pela mesma. O culto presbiteriano caracteriza-se por sua ênfase teocêntrica (a centralidade do Deus triúno), simplicidade, reverência, hinódia com conteúdo bíblico e pregação expositiva. Na prática, nem todas as igrejas locais da IPB seguem criteriosamente essas normas bíblicas, embora elas tenham caracterizado historicamente o culto reformado. Os problemas causados pelo afastamento desses padrões têm levado muitas igrejas a reconsiderarem as suas práticas litúrgicas e resgatarem a sua herança nessa área fundamental. Quando se diz que o culto reformado é solene e respeitoso, não se implica com isso que deva ser rígido e sem vida. O verdadeiro culto a Deus é também fervoroso e alegre.

Finalmente, a vida das igrejas presbiterianas brasileiras não se restringe ao culto, por importante que seja. Essas igrejas também valorizam a educação cristã dos seus adeptos através da Escola Dominical e outros meios; congregam os seus membros em diferentes agremiações internas para comunhão e trabalho; têm a consciência de possuir uma missão dada por Deus, a ser cumprida através da evangelização e do testemunho cristão. Muitas igrejas locais se dedicam a outras atividades em favor da comunidade mais ampla, como a manutenção de escolas, creches, orfanatos, ambulatórios e outras iniciativas de promoção humana. Cada igreja possui um grupo de oficiais, os diáconos, cuja função primordial é o exercício da misericórdia cristã.

O presbiterianismo tem uma visão abrangente da vida, entendendo que o evangelho de Cristo tem implicações para todas as áreas da sociedade e da cultura.

Saiba mais sobre a IPB em www.ipb.org.br.

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